Sofro muito de ansiedade. E, sinceramente, ainda acho difícil conviver com ela.
Com o tempo, comecei a perceber que ela não aparece sempre da mesma forma. Costumo brincar que existem dois tipos de ansiedade: a boa e a ruim.
A boa é aquela que aparece quando algo legal está prestes a acontecer. Antes de uma viagem, de um aniversário ou até de começar um projeto novo. É aquela vontade de que o tempo passe um pouco mais rápido para finalmente viver aquele momento. Não chega a ser um sentimento ruim. Na verdade, acho até bonito perceber que ainda consigo ficar animada com as coisas.
Já a ansiedade ruim é completamente diferente.
Ela chega cheia de perguntas que ninguém sabe responder. E se isso acontecer? E se der errado? E se eu não conseguir? Ela cria situações na minha cabeça como se fossem reais e, por alguns minutos, eu quase acredito em todas elas.
O pior é que, na maioria das vezes, nada daquilo acontece.
Mesmo assim, minha mente insiste em tentar prever o futuro, como se pensar bastante sobre um problema fosse impedir que ele existisse. Infelizmente, não funciona assim.
Às vezes, passo mais tempo preocupada com uma situação imaginária do que vivendo o momento que realmente está acontecendo. E quando percebo isso, bate aquela sensação de que desperdicei um pedaço do meu dia com algo que só existia na minha cabeça.
Ainda estou aprendendo a lidar com tudo isso.
Tem dias em que parece fácil. Em outros, qualquer pequena incerteza já é suficiente para acelerar meus pensamentos. Acho que quem também convive com a ansiedade entende exatamente essa sensação. Ela não avisa quando vai aparecer. Simplesmente aparece.
Uma coisa que tenho tentado fazer é lembrar que nem todo pensamento merece a minha atenção. Só porque imaginei um cenário ruim, não significa que ele vai acontecer. Parece simples escrito assim, mas colocar isso em prática é outra história.
No fim das contas, a ansiedade sempre tenta me levar para um lugar que ainda nem existe: o futuro. E talvez seja justamente por isso que eu precise me lembrar, todos os dias, de voltar para o presente.
Porque, por mais difícil que seja, a vida continua acontecendo aqui. Agora. E eu não quero deixar que o medo do que pode acontecer me impeça de viver o que já está acontecendo.
