no fundo do espelho
Tenho sentido medo.
Um medo denso, desses que grudam na pele e escorrem pro fundo da alma.
E esse medo não é só presença, é prisão. Me paralisa, me amarra, me cala.
A depressão me apavora. O simples ato de ficar triste já me deixa em alerta.
Porque eu sei o que vem depois. Já estive nesse lugar escuro. Já caminhei por dentro dele como quem pisa em cacos.
E agora, só de pensar em voltar, meu peito se fecha.
Tenho medo de tudo que vivi, medo dos fantasmas antigos baterem à porta, medo de ter que lutar de novo, medo porque, sinceramente, não sei se ainda tenho forças.
Sinto que esgotei meu estoque de coragem.
E mais:
tenho medo de decepcionar.
Quem eu amo.
Quem me ama.
Medo de não ser suficiente.
Medo de falhar.
Medo de ser um peso.
E o medo vem de mãos dadas com a tristeza. Os dois cochicham coisas no meu ouvido, mentem que não tem saída, que ninguém vai entender.
Me pergunto: O que fazer com isso? Como se caminha sem chão?
Autor
contato@mariribeiro.com.br
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